As bobagens todas juntas e reunidas
07 Jan 2012 Deixe um Comentário
Estava eu hoje no aniversário da Edninha e começamos a comentar as coisas dantescas da internet. E, olha, tem coisa bagaceira! Apesar de muitas serem a degradação humana, há que rir. Porque se é o horror, pelo menos foi engraçado.
Então vou fazer um “The best of” nesse post, sem necessariamente serem os melhores. Nos comentários, coloquem as pérolas faltantes, por favor!
1. O mais recente: Lasier Martins feat. Michel Teló em “Ai, se eu te pego”
2. Vanessão (repare, aos três minutos, que começa a cair a peruca de Vanessão)
3. Lohane Vekanandre Sthephany Smith Bueno de Hahaha de Raio Laser Bala de Icekiss
4. “Garota na chuvaaa / Ou no verão / Garota na chuvaaa / São as quatro estaçããão”
5. Garrafa entalada em Curralinho
6. Jeremias, multado por não estar com habilitação e ter documento atrasado (?!?!?!?!)
“e diga a minha mãe que eu tarra matanu mil!”
7. Morre, diabo!
8. Forró do “Ninguém me tucuta no Facebook!”
9. Ronei: o ídolo, o deus, o mestre — cantando “Solidão”
“abracei com desejo a minha coberta / … / ando malu-u-uco de-e-e-e sauda-a-a-a-ade”
10. Vera no Chevetão
=)
Presentes para uma balzaquiana
06 Jan 2012 4 Comentários
No último dia 2, completei 30 primaveras. Tá, para eu não parecer velha com essa frase — ora, quem conta a idade com primaveras é minha avó! — vou refazê-la.
Fiz trinta no dia 2 de janeiro.
E inesperadamente foi legal. Nasci num dia bonitinho, par. Mas, mesmo no dia par, não fiz minha mãe completamente feliz. Ela queria que eu nascesse no Dia Mundial da Paz, dia 1º de janeiro, mas eu provei que a preguiça é congênita e atrasei o plano de minha mãe. A preguiça não é culpa minha, é a minha natureza.
A verdade é que não curto muito fazer aniversários, porque, né?, nascer nesse dia é meio cruel, mas enfim, esse ano quis comemorar. Quis porque me lembrei do imaginário que os trinta anos causavam quando eu era pequena. Eu escutava que a pessoa era balzaquiana, então era uma mulher acabada, esperando a morte ou a aposentadoria — o que viesse primeiro — chegar. Quando minha mãe e minhas tias fizeram 30, eu as olhava e pensava: “coitadas!”. Sentia pena, mesmo. Achava que carreira, filhos, relacionamentos, estava tudo acabado para elas. Que elas fariam trinta e chegaria magicamente a menopausa e elas ficariam feias e enrugadas. Mas não: elas são ágeis, inteligentes e super dispostas até hoje. Por isso decidi comemorar: se a genética fez tão bem a elas, por que não faria a mim também, que nasci da mesma árvore genealógica? Além disso, carreira, relacionamentos e filhos ainda não aconteceram na minha vida, então acho que há muita juventude a ser vivida. Com quase trinta, até essas coisas de criança, os aparelhos nos dentes, coloquei. Então acabei rindo de mim e da condição de balzaca.
Mas o presente mais legal dos 30 anos não foi descobrir que a genética é generosa com minha família. Foi, sem dúvida, reencontrar fisicamente (porque virtualmente já fazia bastante tempo que falávamos) um aluno bem querido do meu estágio de Magistério, o Bruno Moura. Quando fiz o estágio, tinha recém completado 17 anos. Era um crime me deixar responsável por alguma sala de aula! Mas eu estava lá e as outras crianças (porque eu era uma) também e tinha de dar aula. É lógico que foi uma experiência muito marcante e lembro os rostinhos dos piás desde sempre. Mas eu era uma tamanca pois não sabia muito bem como ser professora, então achava que eles teriam uma recordação de mim assim como alguém lembra que conhece uma pessoa mas não sabe nem de onde.
O Bruno me deu um abraço tão carinhoso, quando nos vimos no bar, que nossa! Que alegria! É realmente reconfortante que alguém te olhe nos olhos e lembre de ti pelas melhores lembranças. Em seguida, Bruno colocou nossa foto no Facebook e algumas das “minhas crianças” se manifestaram. E falaram as melhores coisas para mim. A mensagem da Maria Aline, olha, foi bem arrepiante. Porque ninguém precisa dizer nada de especial e profundo, mas voluntariamente dizem, sabe? Se eu ganhasse todos os salários que tive até hoje, juntos todos em um montão, não pagaria nenhum desses momentos especiais.
O Bruno se tornou um homem querido, honrado e está estudando num lugar legal! Olha só e percebe como o Bruno está um chuchu com sua linda namorada! E eu estou muito feliz por ter ganhado esse presente tão querido de trinta anos!
=)
Pouco alcance
03 Dez 2011 1 Comentário
Há uns meses fiz um comentário em um outro blogue sobre o caso do Rafinha Bastos, defendendo a liberdade de expressão, ainda que sua prática acarrete processos contra a pessoa que disse o que quis (repare que não é uma defesa ao Rafinha). Eu entendo que, quando a pessoa ofendida tem o direito de reclamar e exerce esse direito, as condições da liberdade de expressão estão satisfeitas — a expressão é livre e pode sofrer represália, processo, contraditório –, portanto, não há vitimização das partes nessa história. Bem, até aí é uma opinião, apenas. Posso estar vendo a situação com muitos limites. E estou bem disposta a ouvir quem discorda de mim e está com vontade de debater com argumentos mínimos. Acho bem saudável. Mas esse post não é bem sobre isso.
No referido blogue, um sujeito decidiu expor seu pensamento contrário ao meu comentário — o que me pareceu extramemente interessante, pois eu veria o outro lado do meu argumento. Mas o sujeito que escreveu passou a me ofender grosseiramente, pois, segundo ele, eu não deveria poder falar o que penso. Então eu pensei: “ok, ele também tem o direito de se sentir mordido e explicar seu lado de um jeito mais rude”. Para mim, era um sujeito anônimo, mas, ao que parece, a criatura procurou sobre minha vida no Facebook, ou no blogue ou no raio-que-o-parta para tentar encontrar ofensas a meu respeito. Não acho que seja um conhecido que se escondeu atrás do anonimato, porque das pessoas que eu conheço, não consigo lembrar de nenhuma que mencionaria as coisas que o tal sujeito mencionou.
As opiniões que o cara expôs, achei legítimas. Ele queria expressar sua contrariedade em relação ao que eu penso e ele tem o direito de fazer isso sempre que quiser. Sobre as ofensas, se incomoda quem quer e eu quero ser feliz; não me vejo discutindo com um anônimo e que, justamente por ser desconhecido, não tem importância. Mas duas coisas me deixaram um pouco desconfortáves na referida situação. A primeira, é constatar (mais uma vez) que as pessoas não sabem dizer suas ideias: quando discordam, elas são estúpidas (no sentido de não pensar com algum cuidado a respeito) e não têm argumentos. Fiquei um pouco incomodada com o fato de uma pessoa precisar ofender para esconder que não sabe argumentar. Tá, isso não chega a ser uma surpresa, mas sabe o Programa do Ratinho? Pois é…
O segundo desconforto é o fato de o sujeito se valer de sua liberdade de expressão, o que é ok, mas fazer uma das coisas que eu condeno em nome dessa mesma “liberdade de expressão”, que é faltar com responsabilidade de quem fala. Eu acho que tudo pode ser dito e comentado, mas tudo tem de ter uma assinatura. O cara esse chegou até mim pois eu assinei o post, linkei o post e dei pistas de quem eu era; afinal, se eu emito uma opinião, tenho de ser responsabilizada sobre ela. O sujeito que replicou, não. Ele colocou um nome genérico, não escreveu o sobrenome e não deixou link nenhum sobre como achá-lo. Não vou atrás dele para pedir explicação, mas, se eu quisesse — se qualquer um quisesse — deveria ter o direito de fazê-lo.
Acho que a visibilidade da internet é quase sempre positiva. O direito de saber com quem está falando e o quanto essa pessoa é responsável pelo que diz deveria estar em todas as instâncias, inclusive no jornalismo (que seguidamente publica mentiras e não se responsabiliza / não responsabiliza o autor da “notícia” pelo que foi veiculado). Já tive situações ruins pela exposição na internet, como no caso de um funcionário da Secretaria de Educação que, para me depreciar profissionalmente, buscou informações pessoais nesse blogue, ou seja, um despropósito. Mesmo assim, prefiro o despropósito ao anonimato.
Bem, minha intenção não era dizer que fui ofendida na web, mas quis ilustrar esse caso para ver que a liberdade de expressão é um sonho de consumo, ainda, e todo mundo quer. Mas a contrapartida da responsabilidade sobre quem fala e o que se fala, parece, ninguém quer.
Criolo ou Como é emocionante ver um artista entregue
02 Nov 2011 Deixe um Comentário
Eu já rasguei elogios ao Criolo nesse blogue e terei de fazê-lo novamente, mas, agora, com mais propriedade: fui no show dele.
Um aspecto legal do show era o fato de que havia muita gente que conhece o Criolo e gosta do trabalho dele com hiphop, então “os mano” estavam lá. Mas, ao mesmo tempo, tinha um monte de gente indie, que viu o Criolo no VMB ou faz parte do pessoal alternativo da cidade e estava gostando bastante. Tinha eu, também, que simplesmente gosto de música, ali no meio. Enfim, quem foi para esperar hiphop viu muito mais do que isso, viu muito além de rótulos e apreciou muito mais do que um gênero. Aliás, ele tocou tantos gêneros, tantos juntos em cada canção, que classificar o Criolo e a banda dentro de um nicho até pecado é.
A banda é ótima, ele está completamente sintonizado com a banda e tecnicamente tudo funciona lindamente (o microfone da flauta, não, mas daí era culpa do Opinião, não dos músicos). A direção do Daniel Ganjaman e do Marcelo Cabral são irretocáveis. Daniel, inclusive, não participou como um coadjuvante do teclado, ele foi o show junto com o Criolo e com os demais músicos. Aliás, era uma festa bem ensaiada, mas não foi pouco aproveitada. Sabe quando se vê uma banda com vontade de tocar? Pois é, aquela estava e as pessoas estavam muito felizes assistindo. Do ponto de vista da banda, fiquei muito contente em ver o pessoal tocando hiphop com banda, não só com pick-up. Como a música fica rica e se pode extrapolar! Bah!
O Criolo? Nossa! Ele não é um cara que pode ser chamado de showman. É um cantor que se envolve com a música, não com a cena. E acho que nunca vi um artista tão envolvido com sua música, como vi o Criolo. Suas letras são lindas, mesmo que algumas não sejam facilmente inteligíveis, mas são poéticas, profundas. E a força do show, as pessoas cantando, o clima de festa não foram fatores que tiraram a beleza e a intensidade do que o Criolo tinha de ser e fazer. A gente elogia um cantor quando ele canta com alma. Criolo canta com alma, vísceras, corpo, coração, com tudo. Quando ele canta, ele é a música.
As letras dele são ótimas, também. É claro que há denúncia social, ele é um MC, oras. Mas ele tem um olhar mais humano do que denuncista, o que faz dele um autor mais interessante, lógico. Um exemplo forte disso é a canção “4 da manhã”, que é, eu acho, um samba. Olha só:
Às 4 da manhã ele acordou
Tomou café sem pão
E foi a rua
Por o bloco pra desfilar
Atravessou o morro
E do outro lado da nação
Ficou com medo ao ver
Que seu bolco talvez não pudesse agradar
As contas a pagar
Fila pra pegar
Senha pra rasgar
Fantasia…
Que às 4 da manhã ele bordou sem pão
Junto a estandarte
Pôs a alma pra lavar
Atravessou o morro
E do outro lado da nação
Levou um susto ao ver
Um povo que não tem
Com o que se preocupar
As contas a pagar
Fila pra pegar
Senha pra rasgar
Fantasia…
Quando vi tocar “Não existe amor em SP”, putz, que coisa bem linda! Música ao vivo que ficou MUITO mais forte do que a versão do estúdio. Estava comovidíssima. Aliás, Daniel Ganjaman e Marcelo Cabral merecem horas de aplausos de pé, porque que arranjo!
Eu paguei o ingresso e fui ao show. Mesmo assim, saí do Opinião com a impressão de que devia algo ao Criolo e a toda sua banda. Sua arte me fez olhar internamente. Não foi um show, foi uma grande catarse. Saí muito emocionada e, acho, que esse espetáculo não tem grana que valha. Bem, mas essa é só uma impressão. Vê o vídeo e diga, depois a tua:
Como ir pro trabalho sem levar um tiro
Voltar pra casa sem levar um tiro
Se as três da matina tem alguém que frita
E é capaz de tudo pra manter sua brisa
Os saraus tiveram que invadir os botecos
Pois biblioteca não era lugar de poesia
Biblioteca tinha que ter silêncio,
E uma gente que se acha assim muito sabida
Há preconceito com o nordestino
Há preconceito com o homem negro
Há preconceito com o analfabeto
Mais não há preconceito se um dos três for rico, pai.
A ditadura segue meu amigo Milton
A repressão segue meu amigo Chico
Me chamam Criolo e o meu berço é o rap
Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai.
Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai
Pois na quebrada escorre sangue,pai.
Da modéstia
13 Out 2011 Deixe um Comentário
A modéstia é uma qualidade somente quando não é um cinismo. Bem, essa é apenas uma opinião. É lógico que é desejável que, no convívio, as pessoas sejam modestas e não fiquem enumerando todas as coisas que fizeram e fazem bem. O chato, mesmo, é quando só a família, o trabalho e o que a pessoa é e faz são melhores do que tudo no mundo e seus feitos se tornam o assunto de tudo. Inevitavelmente já tive uma ou outra vez essa atitude, principalmente quando bem mais jovem, e acho que é uma atitude de certa insegurança, que também é bem típica da juventude.
Então gente sem nenhum fiozinho de modéstia é chato, né? É.
Mas acho mais chato que isso o cinismo da modéstia. Gente que cria situações para que lhe elogiem ou faz uma cara de satisfação quando está dizendo “ah, imagina!”. Isso é mais chato de lidar, porque a pessoa não está — efetivamente — se auto-elogiando, mas está implicitamente fazendo isso e cria um ambiente meio complicado. Quer dizer, complicado para mim… Acho que outras pessoas podem conviver bem com isso, sei lá, mas sinto vergonha alheia.
O Rafinha Bastos e o Pepeu Gomes, por exemplo. Os caras não são modestos, sabem do seu valor no seu métier e reconhecem isso publicamente. Não há pedantismos (acho que nem no caso do Rafinha, apesar de parecer) ou estrelismos. Há, sim, um reconhecimento individual do que está fazendo (de relevante) em determinada área. Mas como reconhecer suas qualidades soa, na nossa cultura, como pedantismo, então penso que os lúcidos de si próprios são todos mal compreendidos. Esses exemplos são exemplos grandes, visíveis. Mas quando reduzimos esses exemplos ao dia-a-dia a coisa muda bastante de figura, mas não a incompreensão.
Parece socialmente feio dizer em primeira pessoa que fez um bom trabalho, que tem qualidades para determinada ação ou que entende de determinado assunto. Daí, quando outra pessoa reconhece, o elogiado responde: “ah, imagina!”. Às vezes, além do “ah, imagina!” vem um agradecimento que é igualmente cínico, pois a pessoa diz “obrigada!”, mas está fazendo uma cara de “sou foda, sei disso”. Seria mais bonito dizer: “nossa, fico feliz que tu tenha reconhecido [o que disse / o trabalho / etc]“, porque agradaria a todos, seria simpático e não haveria cinismo.
Tenho uma amiga que conheci no curso de Magistério e nós tínhamos de escrever um trabalho de fim de curso, contando como foi o crescimento individual durante o curso de Magistério. O professor orientou que deveríamos escrever, entre outros itens do trabalho, os agradecimentos. Essa colega levantou uma pergunta interessante, que lembro até hoje. Ela perguntou se ela poderia agradecer a si mesma. O professor, logicamente, achou a pergunta meio absurda,veja bem, quem agradece, agradece aos outros. Ela explicou que gostaria de agradecer aos pais, claro, mas, antes de tudo, queria agradecer a ela própria, por ter conseguido terminar com sucesso essa etapa dos estudos. Ela explicou que foi ela que fez os trabalhos, ela que estudou, ela que pensou em jogos e atividades, ela que planejou e estagiou. Ora, então se ela fez o curso com tanta qualidade, se ela sabe que fez o melhor como aluna, por que não reconhecer isso em seu trabalho? Obviamente outras colegas riram e acharam engraçado. Penso que acharam engraçado porque não foram tão boas como ela. Eu não fui tão boa como ela, mas admirei sua atitude, de saber quem ela é no mundo, de ter orgulho de si e de não precisar ser pretensiosa (nem fingir não ser).
Há coisas que fazemos sozinhos e que conseguimos sem ajuda de niguém. Às vezes, deveriam existir pessoas para nos ajudar e há algumas, inclusive, que querem fazer isso. Mas conjunturalmente há situações que estamos sozinhos, no limbo, mesmo. Que, mesmo com a melhor boa vontade, não há como resolver sem ser sozinho. Às vezes, quem deveria ajudar, atrapalha e perturba. E há situações quedevemos ser gratos e recebemos o presente de uma ajuda que surge do nada. Mas nas situações que estamos sozinhos, há de se valorizar o que conseguimos sozinhos e ver que fomos bem e que somos capazes. Não os melhores, não os imbatíveis, cheios de detalhes para melhorar, mas fomos bons, ora. Nos eventos de cerveja artesanal, em geral, não vejo nem falsos modestos, nem gente que se vomita auto-elogios gratuitos. E, veja só, esse ambiente me parece muito saudável, pois a pessoa faz a cerveja por lazer, o líquido pronto é um orgulho para ela, mas não trata como se tivesse descoberto a América. A modéstia hipócrita é tão feia quanto a insegurança da arrogância. Bonito, mesmo, é saber de si e saber o que há coisas que tu realmente é foda. E não deveria haver nenhum mal em saber disso.
Ingleses dominando meu Winamp
30 Set 2011 Deixe um Comentário
Polêmica do post: é… ainda uso Winamp. Todo mundo que eu conheço abandonou o programa faz tempo, mas eu uso e, para meus fins — ouvir mp3 — funciona que é uma maravilha.
Essa semana estou ouvindo freneticamente dois ingleses. Um é o James Blunt, com a canção “1973″. Eu era bem preconceituosa em relação a esse cara, já que aquela música dele — “You’re beautiful” — é chata e repetia aos quatro ventos mil vezes (fato que a deixou mais chata ainda). Mas “1973″ é simpática — não uma obra-prima –, bem feita e tem uma letra interessante.
O outro inglês é o Noel Gallagher. O cara saiu do Oasis fazendo um som ótimo, tocando um tipo de rock que adoro: rock para gente que está ficando mais velha. Não é rock para velhos, é rock para quem não é mais adolescente. O mais legal do Noel é que o single do álbum solo parece muito com o último hit do Oasis, “The importance os being idle”, que tem uma letra ótima e é uma canção realmente criativa. “The death of you and me”, da carreira solo do Noel, não é nova, criativa. Mas é boa e está valendo. A letra também é legal. Eu torço muito pela carreira do Noel, que é um ótimo guitarrista e compositor (porque cantor, né? enfim, serve…). Não lastimei (tanto) ele ter saído do Oasis, que é uma grande banda, mas prefiro ele fazendo esse som que faz agora.
Vendo o clipe do Noel, percebi que ele e o Ricardo Darín — fantáááááááástico ator argentino — devem ter sido separados no nascimento. Não é o Liam o irmão do Noel, é o Darín!
Criolo, uma descoberta
26 Jul 2011 1 Comentário
Vi domingo um programa da MTV chamado “Show Na Brasa“, eu acho. Nesse programa, tinha um cantor ótimo chamado Criolo. Eu tinha visto ele cantar uma ou outra canção no “Altas Horas”, mas fiquei muito surpresa com o repertório dele.
Criolo é um cantor com um timbre bem bonito e é muito, mas muito original no que canta. Suas letras são especialmente cuidadas e achei isso uma qualidade linda de seu trabalho. O que mais me pareceu interessante no Criolo é que nenhuma canção dele se assemelha a outra, apesar de ele ter vindo do hip hop e ter sua imagem associada ao movimento.
Enfim, recomendo que o povo saiba mais sobre esse cara tão talentoso. Deixo o vídeo de “Não existe amor em SP“, que não é sua melhor canção (eu acho que ela deveria ter umas guitarras sujas e pesadas no final, com mais pegada), mas é uma boa síntese de sua profunda interpretação aliada a boa letra e a uma canção interessante e diferente.
… mais um post de mais um blogue comentando o talento e a morte de Amy Winehouse
26 Jul 2011 Deixe um Comentário
Desde sábado, escutamos um monte de críticas e pesares sobre a Amy Winehouse. Já li que o uso de drogas era uma escolha despida de maniqueísmos por parte dela, li que ela era uma viciada sem-vergonha, vi pessoas usando a vida de tabloide de Amy como contra-exemplo para vulneráveis ao uso de entorpecentes, enfim. Para agregar só mais um pitaco inútil, eu diria que, apesar da consciência sobre seu vício, Amy chegou em um momento de sua vida que a dependência psicológica pelo uso de drogas a deixou sem escolhas. Ela ficou tão dependente, que se conformou com a possibilidade de encurtar a vida. Vi, há alguns anos, uma entrevista em que Amy dizia que era uma suicida. O surreal desse fato é que a cantora assumia que estava entregue às drogas e ficou sem escolhas, a droga tirou as possibilidades da vida dela. Mas Amy já dizia isso em “Rehab“: além de se dizer entregue ao uso de drogas, ela assume que não quer melhorar.
É verdade que houve uma pressão midiática reforçando a imagem de Winehouse detonada. Mas ela sabia o quanto disso era circo e sabia o quanto do que ela vivia era verdade. A família dela também tinha noção. Os amigos participavam dessa vida cheia de excessos. O que faltou a ela? O que poderia ter evitado tudo isso? Ninguém pode responder. A necessidade psicológica por drogas é um problema muito particular que não tem receita: há quem precise de clínica, há quem precise de apoio da família, há quem se salve com NA, há quem saia sozinho e há quem só cava o poço para baixo.
Mas e se — ironicamente — sua morte não estiver ligada ao seu abuso de drogas? E se ela caiu, bateu a cabeça e morreu com esse traumatismo? E se ela teve um infarto não motivado pelas drogas? Seria um deboche a todos — inclusive a mim — que ficamos estarrecidos com a morte prematura de uma suicida potencial, um grande paradoxo, claro.
Mas como cantora, ela foi indefectível. Lembro com muita nitidez a primeira vez que ouvi Amy Winehouse. Estava vendo MTV de tarde e, no meio de uma porção de clipes genéricos (e ruins), surgiu “Rehab“. Eu gostei da estética do clipe, mas fiquei mais surpresa com a criatividade da canção e com o timbre da Amy Winehouse. Foi uma experiência musical bastante peculiar, porque percebi que aquela canção tinha um frescor de ineditismo, uma fusão perfeita de coisas velhas e lindas e de coisas modernas e supernovas. Foi uma experiência estética muito interessante. E é importante lembrar que um talento como Adele não surgiria agora se não surgisse Amy antes. Adele que vá deixar uma cachacinha lá na porta da casa da Amy, porque deve muito a ela. Amy fez sucesso sem pares ou modismos. Isso significa dizer que ela não é parte de um movimento de canções genéricas, como funciona com pop-stars estilo Kate Perry, Lady Gaga, Britney Spears.
Tenho, ainda, um fato pitoresco sobre ela. Uma vez, no táxi, estava ouvindo “Rehab” e comentei com o taxista que a canção estava fazendo muito sucesso. Ele disse: “É, essa é a Amy House, né?” e eu confirmei. Daí, o taxista falou: “Eu escuto muito rádio e essa Amy House toca direto. A gente até já encheu o saco com esse ‘no, no, no‘, né? A música é boa, mas toca ‘no, no no‘ toda hora…” Desde então, em casa, eu a chamo de “Amy House“, porque, né?
Outro fato pitoresco é que, em todos os programas de TV que vi comentarem sua morte, tocavam, como música de fundo, “You know I’m no good“, que fez sucesso, mas que não era tão famosa quanto “Back to black” ou “Rehab“. Espanta-me isso, porque a letra dessa música era uma confissão de que o eu-lírico — nesse caso a própria Amy, porque ela escrevia com pessoalidade — não prestava. Pode ser uma coincidência ou, mesmo, uma tentativa de condescendência dos canais (será que tocar ”Back to black” ou “Rehab” seria pior?). Mas falar da morte da cantora com a confissão de que ela não era boa tocando ao fundo, pareceu um pouco estranho, para mim, pelo menos.
Logicamente, não se pode julgar o talento de Amy usando fotos de tabloides. O talento artístico merece apreciação, não julgamentos morais. Em relação a sua vida, não nos cabe julgar e isso não é uma condescendência em relação a sua vida: é o fato de que ninguém pode mensurar em uma vida o que os tabloides tentavam descrever.
Reflexão hospitalar II
18 Jun 2011 1 Comentário
Ainda sobre minha relação com minha avó, estava pensando sobre o livro que dei a ela há um ano, chamado “Menina Nina”, do Ziraldo. Segue um resumo da história:
“A narrativa se inicia no dia em que Nina nasceu e com a alegria de sua avó com sua chegada. A partir daí, em linguagem simples, mas bastante poética, Ziraldo envolve o leitor na história, utilizando acontecimentos diários, aparentemente banais, mas que atestam a participação da avó de Nina em sua vida, e a admiração da neta por ela: Eu já sei o que vou ser quando crescer. Vou ser você, Vó Vivi. A narrativa vai sendo conduzida de forma leve e alegre, até que surge a dor. Através da morte da avó de Nina e dos questionamentos da neta na tentativa de entender o acontecimento, ocorre, então, uma nítida mudança de ritmo tornando o texto denso. Depois do momento de tensão pelo sofrimento de Nina perante a morte da avó, o autor apresenta a Nina e ao leitor duas razões que explicam o não-chorar. Ziraldo conclui a história com maestria na forma de encarar a morte, não se atendo a uma interpretação religiosa específica, mas sempre trazendo uma esperança para os que ficam”. (IN: http://www.dobrasdaleitura.com/vitrine/2006/09zi.html )
A semelhança do meu nome/apelido com a personagem do livro é muito clara, mas para que não houvesse dúvidas de que “minha avó era a Vovó Vivi”, também, eu usei um artifício. Risquei todas as Vovó Vivi e escrevi Vovó Vera, a minha avó. Na história, a partir do momento em que a avó morre, eu não coloquei mais o nome de minha avó, afinal, ela está vivinha da silva. Mas a história é significativa porque eu me sentia a própria Menina Nina sendo amorosamente recebida pela sua Vovó Vivi Vovó Vera. O interessante dessa anedota — e por isso eu estou contando tudo isso aqui — é que parece que finalmente eu entendi a razão de ter dado esse livro para minha avó no ano passado. Esse tempo no hospital ao lado dela foi significativo para entender o tanto de amor que há entre a Vovó Vera e a Menina Nina.
Reflexão hospitalar
18 Jun 2011 1 Comentário
Há umas duas semanas estou ensaiando para escrever aqui sobre um assunto delicado, mas muito presente, que é a vida. O assunto não surgiu do acaso, surgiu em função de eu ter estado uma semana com minha avó no hospital. Como meus horários são flexíveis, eu fiquei um bom tempo fazendo companhia a ela ao longo da semana que ela ficou lá.
O ambiente do hospital — por mais acolhedor que tente ser — é ruim. A sensação de estar no hospital em si é muito chata. Além disso, tinha pouco ou quase nada para fazer, o que também é entediante. Mas, mesmo assim, tentei tirar alguma boa lição da situação e acho que, de certa forma, consegui.
No hospital, consegui me dar conta de que minha avó está velha. Sim, é o óbvio, eu sei. Mas a gente não consegue se dar conta de que as pessoas próximas são finitas. Minha avó tem 86 anos e tem problemas típicos de velho, como insuficiência cardíaca, pressão alta, enfim, essas coisas que basta chutar uma árvore e caem dez velhos com a mesma situação, de tão comum que é. Em função dessa obviedade, era para eu ter me dado conta de que a vó está velha faz um tempo. E pior: ela vai ficar MAIS velha ainda! Mas a gente não vê. A gente (eu, pelo menos) acha que ela será eterna e vai continuar me cuidando, como fez até hoje.
Dar-se conta de finitude da vida é, por um lado, horrível, porque é naturalmente triste. Mas tem um ladinho bonito e bom. Vendo pelo lado menos triste, é possível conseguir modificar uma ou outra atitude. Não sei quanto tempo minha avó terá comigo, mas quero que seja um tempo bonito. Não quero ter a sensação de que não aproveitei e não fui legal com ela. Quero conseguir rir dos exageros da minha avó e saber que esse tempo compartilhado foi legal para nós duas. Minha avó é uma pessoa especialmente difícil, com um temperamento muito complicado e, nos últimos dias, isso não tem me irritado mais. Eventualmente ela fala umas aberrações, como se vivesse não no início do século passado, mas no século XIII. Mas até isso tem sido mais simples de conviver. Com minha mudança de atitude não só eu tenho sido uma neta mais legal, ela tem sido uma avó melhor.
E, quando a gente se dá conta da possibilidade (da certeza, mais ainda) da morte, a gente também pode entender um pouco mais sobre a vida. Então, ao invés de chorar a sua futura morte (que eu espero MUITO que demore!), quero celebrar a vida ao lado dela. Ainda mais que agora ela está bem e em casa!
Quando ela voltou para casa, ela disse que estava me devendo uma, já que eu fiz companhia bastante tempo a ela. Daí eu disse que não quero essa cobrança de quem deve o quê, para quem. Afinal, imagine se vou conseguir pagar pelos (quase) trinta anos que ela tem dedicado a mim!






