…todo dia ela faz tudo sempre igual…

Estão quebrando meu banheiro. Parece ser para uma boa causa, que dizem ser uma reforma. Isso já tem sido um engodo. Daí tenho ficado na casa da minha mãe, já que preciso tomar banho e, enfim, usar o banheiro. Algum banheiro… Minha mãe está uma querida, tem sido bem bacana. Mas minha avó de 85 anos, nem tanto. A cena tragicômica de hoje foi:

— Nina, tu tá vendo horário eleitoral? Tira daí, é uma bosta.

— Vó, eu quero ver. Tu quer ver TV? Quer outro programa?

— Não… Tá, então pode ver os políticos.

(50 minutos depois)

— Vó, começou tua novela. Quer ver?

— Não. Estou jogando carta. Depois que acabar o jogo (FreeCell analógico), vou ver se assisto.

— Tá, então vou ver Dr. House, que dá no canal a cabo.

— Acabou meu jogo agora. Sai da TV. Não quero saber desse alemão. Vou ver novela. Senta e vem aqui assistir comigo. Agora.

— Tu não pode ver novela na TV do quarto? TV a cabo tem só na sala…

— Não. Quero que esse alemão do “Haus” vá a putaquepariu.

E eu pensei que meu único incômodo eram as marretadas nos meus ouvidos, lá no meu banheiro.

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A maldade alheia

Não acredito em maldade. No máximo, em ressentimento, vingança, essas coisas. Mas maldade consciente, eu acredito que exista muito pouco.

Cada vez mais escuto que fulano ou beltrano fez mal DE PROPÓSITO para a pessoa que está contando a história. O que acontece, na maior parte dos casos, é que as pessoas não se falaram e deixaram um mal entendido perdurar. No fim, a atitude lógica, que é falar sobre o problema e tentar resolvê-lo é uma ideia tão pejorativa e mal vista, que parece ser melhor ser ressentido, se sentir injustiçado e acreditar que tudo conspira contra nós, numa maldade sem fim.

Por outro lado, essa coisa de discutir a relação (não só conjugal e afins), que parece ajudar e resolver, é igualmente chata, porque as pessoas quando vão conversar sobre o problema, não falam seus sentimentos. Ora, é óbvio que niguém tem razão numa discussão e o que tem de ser compreendido, partilhado e discutido são os sentimentos, não o que é sensato e ponderado. Em outras palavras, é o paradoxo: explicar seus sentimentos pouco lógicos é a coisa mais sensata a fazer. Na maior parte das vezes nos incomodamos pelas nossas fraquezas ressaltadas nas atitudes das pessoas que gostamos. Se o outro foi “malvado” conosco, é porque somos sensíveis a algo que ele manifesta.

Todo esse papinho auto-ajuda é batido, ok? Tu já recebeste e-mail sobre isso, já passaste em corrente, já mandou para um desafeto, enfim. Mas o problema é quando esse engodo se institucionaliza: “não vou estudar tal coisa, porque tal professor não me curte”, “tenho de tomar atitudes escondidas, para evitar uma retaliação, já que tem um cara na minha empresa que quer me sabotar”, “fui demitido de uma empresa de 500 pessoas, porque o dono pegava no meu pé”. Mesmo que isso realmente aconteça, por favor, que pequenez, hein?

Não vou dar conselhos sobre isso. Mas acho essa mania de perseguição um pouco de megalomania. Parece que todo mundo para e se põe a pensar na pessoa que está reclamando. O mundo todo vive para fazer maldades para a pessoa que é, ou melhor, que se sente injustiçada.

Injustiçados do mundo, uni-vos! Tu, perseguido por tudo e por todos, conclame com teus pares:

Em vez de você ficar pensando nele
Em vez de você viver chorando por ele

Pensa em mim
Chore por mim
Liga pra mim
Não, não liga pra ele
Não chore por ele

Se lembre que eu há muito tempo te amo, te amo, te amo
Quero fazer você feliz
Vamos pegar o primeiro avião
Com destino à felicidade
A felicidade pra mim é você