Um poema

Fiz um único poema na vida. Em 2006. Porque fui obrigada. Na aula de Literatura Española III. Esse poema nunca foi mostrado, só para o professor, que pediu uma tentativa de criação de poema surrealista. Bem, não consegui. Mas guardo o registro afetivo.

Niño llorando
la mano de dios
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llueve
llueve
llueve
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dios limpia la cara
el Niño para de llover…
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A primeira vez

Acordei já pensando na noite que estava por vir, na mentira que teria que inventar e no trabalho que teria ao longo do dia. Esse era um dia especial; pelo menos, eu tinha idealizado que seria. Tinha escolhido a roupa ainda pela manhã, estava escondendo a euforia desde que tinha acordado. Eu ainda não tinha nenhuma garantia de que meus planos dariam certo – aliás, nenhum dos meus planos funciona –, mas estava segura de que teria uma noite surpreendente.

Almocei e fui trabalhar, assim, como em um dia normal. E, depois do trabalho, cheguei em casa, fiz um agrado para minha avó, pedi comida e notei que a mentira teria de ser bastante convincente, pois minha casa estava cheia de parentes; não era só a minha avó que eu deveria enganar. Além de inventar uma bela história e uma bela desculpa, deveria ter que garantir a reputação que me era confiada.

Cogitando muitas hipóteses, considerando minha inabilidade em contar histórias, resolvi não mentir. A alternativa encontrada foi sair de casa correndo, no meio de algum bloco da novela em que todo mundo só quer silêncio para ver aquilo que já foi lido no resumo do capítulo, do jornal de domingo. Pois é… não funcionou. Quando eu coloquei a chave na porta, o bloco da novela tinha acabado.

E a pergunta inevitável, feita por mais de uma tia, além da minha avó: “Tu vais sair acompanhada essa hora, não é?” Pois, então, não ia. Mas lembrei da maldita reputação. “Acho que encontro alguém, sim.”, respondi. Não encontraria, nem tinha vontade nenhuma de encontrar; talvez só se fosse no fim da noite, se a noite fosse de sorte para mim. Sem conseguir sustentar por muito mais tempo a cara deslavada, saí quase correndo, até porque tinha que garantir o meu lugar.

Cheguei no Beira-Rio e não tinha fila. Nem era um clássico, mas era essa mesma razão que me levava a ir, pela primeira vez, em um estádio de futebol sozinha. Junto com a ida ao estádio pela primeira vez, eu estava quebrando um dos poucos resquícios machistas da minha família – de fato, um matriarcado – que estava tão grudado nos valores comuns dos parentes. Infelizmente, nessa família saiu uma apaixonada por futebol, que, até então, só assistia aos jogos pela TV. E, sim, tinha que dizer que iria acompanhada, com qualquer suposto protetor, nesse caso. Mas, aquela noite eu tinha apenas um encontro, com o  arquiinimigo da vez: o time do Caxias.

O Inter tinha que ganhar. E mesmo que não tivesse, deveria ganhar. Eu tinha esperado aquele momento por muito tempo. Tinha ponderado em relação à minha segurança e à autoridade da minha mãe durante muitos anos. E, como em um rito de passagem tribal, tinha chegado a minha hora. Já tinha me fardado de moleque, carregava uma camiseta rubra, e levava um orgulho bem feminino: o de contrariar uma regra (sem fundamento) de entrar nesse ambiente cheio de homens.

Cheguei muito cedo. Estava garoando, mas consegui um bom lugar na arquibancada inferior. Liguei o meu rádio a pilha e fiquei escutando os mesmos radialistas que estava acostumada a ouvir em todos os jogos. Só que naquele dia eu estava com a mesma visão que eles.

Começou a partida. Consegui, de fato, aprovar o desempenho do Gavilán. Pude ver que o Cleiton Xavier gosta de fazer o papel de enceradeira do time. E vi, vi muitas vezes, mesmo pedindo muitas faltas, o jogo do Daniel Carvalho. Como dizia o radialista: “É bom esse Daniel Carvalho!” E era mesmo! Ele dançava com a bola e, assim, me fazia sentir saudade daquele futebol-arte que eu via na televisão quando era pequena, em reprises da TV Cultura.

Não posso desmoralizar o meu rival da noite, o SER Caxias. Eles tinham o Lê, que me deu muito medo. Mas foi esse mesmo Lê que contribuiu para que a minha noite saísse mesmo perfeita. Ele foi derrubado na área, e isso, para quem não sabe, é sinônimo de pênalti. O Clemer defendeu. Aliás, o Inter só não fez muitos gols porque o Caxias tinha um ótimo time de retranca e a defesa deles era invejável.

Mas o Internacional não tinha feito gol. E eu queria ver gol, feio ou bonito, não importava. Meu objetivo era ver a partida ganha. Os jogadores, que estavam comprometidos com minha ansiedade e demonstraram valorosa cumplicidade, não fizeram o esperado gol no primeiro tempo. Foram demonstrando habilidade ao longo do jogo, fazendo valer o suor de suas camisas, e o dinheiro investido naquele ingresso. O gol, então, saiu. E foi aos 38 minutos do segundo tempo. Exatamente como eu tinha idealizado: com muitas defesas do meu goleiro, com muitas tentativas do meu atacante, com muitos bailados daquele Daniel.

Foi uma noite maravilhosa, voltei para a casa com o orgulho da vitória. Senti-me absoluta: eu ganhava um jogo do Campeonato Gaúcho, ao mesmo tempo em que ganhava o prazer de poder freqüentar um meio masculino, que, segundo minha família, não era para o meu bico.

*** Esse texto foi escrito em 2003, para uma cadeira de Leitura e Produção Textual. Estou guardando online os textos que me sobraram, pois perdi quase todos os que fiz. Há coisas engraçadinhas e outras muito ruins. Mas era o meu primeiro semestre na UFRGS.

O tempo perdido

O percurso da minha casa até o Campus do Vale é uma verdadeira viagem. Moro no Bom Fim e passo 45 minutos no ônibus da Linha Universitária, como boa parte dos meus colegas. O que difere minha percepção dessa viagem das outras tantas percepções, de outras tantas pessoas, é minha indignação em relação ao tempo perdido no ônibus. E, assim que eu entro, eu começo a perder tempo pensando no tempo perdido dentro do ônibus.

A volta não é diferente. Entro no ônibus já pensando na finitude do tempo, continuando o pensamento que se processava na ida ao Campus do Vale.

Na volta da primeira sexta-feira de aula, entrei em um “Campus Ipiranga”, fugindo do habitual ônibus com ar-condicionado. Isso já era mais uma reclamação para internalizar: além da perda de tempo, a falta de comodidade. Seguindo pela Avenida Bento Gonçalves, eu intercalava minhas reclamações internas com a preocupação em relação à chuva e à aula que eu daria a tarde.

Segui a Ipiranga voltando ao meu pensamento sobre a perda de tempo. Penso muito em como passo o tempo dormindo ou dentro de um ônibus, e entendo que isso não é justo, afinal é um tempo em que eu não produzo, nem me divirto. Ainda, passando pela Moda Casa, eu continuava mentalmente reclamando da falta de tempo, independente das razões.

Assim, nessa perda de tempo, refletindo sobre o tempo escasso, já perto do Planetário, encontro uma garça no meio do Arroio Dilúvio. Eu vi a garça e, cacofonias à parte, achei uma graça. A garça estava, imagino, pescando seus peixes para comer. Mas isso é suposição, pois naquele momento me dei conta de que eu estava com muita fome e já era hora do almoço.

E dimensionei essa imagem – a da garça – sobreposta ao Arroio Dilúvio. A garça tão altiva, tão elegante, tentado pegar sua comida naquele Arroio absolutamente poluído. Nesse momento, o pensamento da perda de tempo sumiu, dando lugar a outro. A garça, então, na sua estética poética, rompeu a grosseria do Dilúvio e, de frações de segundo, fez com que eu ganhasse esse momento dentro do ônibus.

Parece bobo pensar sobre a beleza de uma garça ferindo a feiúra do Dilúvio. Mas observar as pequenas coisas que podem nos surpreender é um desafio constante. A garça deu a graça do inesperado neste meu dia, trazendo a delicadeza do irrisório para a violência do lugar-comum.

Continuei seguindo até chegar o momento de descer. E depois do corte que a garça deu à minha rotina, me recompus. Voltei a pensar na finitude do tempo. Mas pelo menos, sem tantas reclamações internas. Mesmo vendo o tempo passar, já posso assistir a muitas singelezas que a sorte me dá.

*** Esse texto foi escrito em 2003, para uma cadeira de Leitura e Produção Textual. Estou guardando online os textos que me sobraram, pois perdi quase todos os que fiz. Há coisas engraçadinhas e outras muito ruins. Mas era o meu primeiro semestre na UFRGS.

O pé-na-bunda

A rejeição é um desgosto que sentimos quando não temos aprovação social. Querendo, ou não, sempre sofremos a aprovação social. Passamos a vida sofrendo pré-conceitos e nos adaptando com as rejeições que sofremos. Mas algumas rejeições são traumatizantes por si só; por exemplo, a rejeição advinda da pessoa querida e amada. Essa rejeição é proporcional ao sentimento despendido no querer o outro, e é popularmente chamada de pé-na-bunda.

O famoso “tomar um pé-na-bunda” é traumático por si só. Não adianta tentar melhorar; não adianta tentar amenizar. E, é claro, quem menos sofre é aquele que entra com o pé, nunca com a bunda. Mas existem alguns tipos de pé-na-bunda: desde os trágicos, até os irreparáveis.

Existe o pé-na-bunda que vem com a frase clássica “vamos continuar amigos, porque eu gosto ainda de ti”. O dono da bunda, nessa ocasião, sabe que se o dono do pé gosta mesmo, então porque não quer mais saber de relacionamento? Hein? Hein? Essa história do casal se desfazer e surgir uma bela amizade é balela. Não existe. E, se o dono do pé decidir investir na amizade, de trágico, o pé-na-bunda será irreparável, paulatinamente. E o dono da bunda decidirá, mesmo que por alguns instantes, que não desejará mais se relacionar com ninguém.

Outro tipo de pé-ne-bunda é aquele que surge a partir de brigas, gritos e pontapés. Não exatamente nessa seqüência lógica, mas concomitantemente. Esse pé-na-bunda é complicado, porque depois que o dono da bunda se dá conta do que aconteceu, ele tenta desfazer os mal-entendidos, esquecer e fazer o dono do pé esquecer as maledicências e implorar desculpas. Como o dono do pé está por cima nesse momento, ele usa de humilhação para tornar a situação trágica, graduando para irreparável à medida em que deixa o dono da bunda perdido e fora da realidade. É um assassinato ao coração, com requintes de tortura, para ser mais exato… E o dono da bunda decidirá, mesmo que por alguns instantes, que não desejará mais se relacionar com ninguém.

Além desses dois tipos clássicos, há o tipo de pé-na-bunda em que os envolvidos se mostram espertos e independentes, afirmando socialmente que não houve pé-na-bunda. Ou seja, falam que tudo foi em comum acordo. Aí é que eles se enganam e enganam os outros. O “moderninho”, que propõe o “tempo”, entrou com o pé, e o “bem-resolvido”, que aceitou dar uma arejada na cabeça, entrou com a bunda. Trancados no quarto, os dois ficam com o coração apertadinho, pequenininho. Mas o dono do pé se sente regozijado e/ou aliviado, enquanto o dono da bunda chora baixinho e sofre a rejeição. Se o dono do pé mostrar que quer reconstruir sua vida, aí será o desespero, chegando a tragédia, e, aos poucos, o dono da bunda confessará o quanto sofreu. Mas aí, já será tarde, e o mal será irreparável. E o dono da bunda decidirá, mesmo que por alguns instantes, que não desejará mais se relacionar com ninguém.

Há um tipo de pé-na-bunda que não é tão óbvio como os outros. Esse tipo ocorre quando o casal continua o relacionamento sem manter a reciprocidade de sentimentos. Ou seja, a “relação de fachada”. Em algum momento, um dos dois começa a se afastar discretamente, o outro começa a forçar a imagem de felicidade do casal, dexando, assim, sua bunda fora da reta. Mal sabe ele que sua bunda já foi chutada. Discretamente, claro. Mas tão discretamente que só ele não notou. Até que um dia o dono do pé resolve comunicar explicitamente o processo ocorrido. O dono da bunda não enxerga o óbvio, chora muito e faz com que o dono do pé sinta-se culpado. Até aí a situação é trágica. Quando o dono do pé confirma sua posição cruel, o dano é irreparável. E o dono da bunda decidirá, mesmo que por alguns instantes, que não desejará mais se relacionar com ninguém.

Em alguns casos, ocorre uma junção de todos os tipos supracitados. Não ao mesmo tempo, mas com uma ordem que desgraça os corações. Primeiro, o casal resolve dar um tempo, e o dono do pé se culpa, se compadece e resolve “dar mais uma chance” ao dono da bunda, dizendo que estará dando mais uma chance ao nosso amor. Ele diz nosso, mas não é mais dele. Depois, terminam de novo e tentam ficar amigos. Não dá certo, porque o dono da bunda exige que a amizade seja mantida (não, não adianta dizer que era uma mentirinha, nem que o dono do pé mentiu para poupar o dono da bunda…) e começa a convidar para sair todos os finais de semana. O dono do pé vai ficando de saco cheio e faz de conta que tudo está bem. Cria-se, então, uma “relação de fachada”, em que nenhum dos dois se suporta mais. Mas isso já foi explicado. Depois de tudo isso, o dono do pé, com sua paciência frágil, briga, grita e dá pontapés. Pronto, o inevitável aconteceu. E o dono da bunda decidirá, mesmo que por alguns instantes, que não desejará mais se relacionar com ninguém.

O pé-na-bunda é terrível. É uma situação em que o rejeitado se sente abaixo do plâncton. Passa algum tempo achando que ninguém nunca mais vai gostar dele. E que o mundo todo está contra ele. É, de fato, um momento frágil da vida em que o dono da bunda ficará se preguntado aonde foi que errou e como consertar toda a desgraça. Não há receitas para diminuir a dor ou paliativos cientificamente aprovados. Mas antes de o dono da bunda decidir, mesmo que por alguns instantes, nunca mais se relacionar com ninguém, deve pensar que o pé-na-bunda pode até ser útil: ele pode chutar o dono da bunda para frente.

*** Esse texto foi escrito em 2003, para uma cadeira de Leitura e Produção Textual. Estou guardando online os textos que me sobraram, pois perdi quase todos os que fiz. Há coisas engraçadinhas e outras muito ruins. Mas era o meu primeiro semestre na UFRGS.

Tabacudos

Existem palavras que usamos sem saber o porquê e, até mesmo, sem conseguir definir, exatamente, após anos de uso. Algumas palavras do nosso vocabulário gauchesco são bastante peculiares, até porque, elas crescem conosco. Um exemplo bastante típico de palavra inusitada e muito particular, para mim, é a palavra “tabacudo”, em que a definição até hoje é vaga. Ou melhor, é uma definição polissêmica para mim, rica em conotação.

Minha experiência com a palavra tabacudo começou na infância, onde descobri, não acidentalmente, que todas as pessoas são tabacudas. Meu avô chamava a mim e a meus tios de tabacudos. Sabíamos que éramos tabacudos desde pequenos – talvez desde o dia em que nascemos –, mas não sabíamos até que ponto isso nos ofendia. Pensei até que fosse um palavrão, mas não consta no dicionário de palavrões. Era uma gíria que, talvez, poderia ser substituída por “bocó” ou “coió”, mas ainda assim, sabíamos que o valor semântico não era exatamente o mesmo de “bocó”, nem de “coió”. Tabacudo é ser muito mais pateta que isso.

Mas mesmo sendo tabacudos, não somos tristes, nem nos sentimos inferiorizados. Não é um adjetivo depreciativo. Porém, tabacudo, assim mesmo, é usado nos momentos em que alguém tenta (e consegue) satirizar outra pessoa. O próprio som da palavra já nos dá um prenúncio do seu significado. Eu acredito, até, que falar que “fulano é um tabacudo” já diz tudo, ou seja, não precisa dar explicações. Talvez, por isso, há muitos anos, quando fui amansar minha dúvida, descobri que a palavra não está no Aurelião (nem, tampouco, no dicionário gauchesco): porque sua pronúncia já é engraçada o suficiente para que nosso interlocutor compreenda do que se trata. Pensei até em procurar no Houaiss o significado da palavra para escrever esse texto; mas resolvi não abandonar meu conceito polissêmico e continuar ignorante. Afinal, qualquer conceito, agora, mataria o sentido lúdico mantido durante anos.

Tabacudos somos quando nos enganamos ou quando cometemos algum erro divertido, sem nos darmos conta. Qualquer “boca-abertice” é feita por um tabacudo. E mais, há os tabacudos por excelência: os desastrados por vocação.

Tabacudos são os que derrubam o café no paletó justamente no dia da reunião com o dono da empresa. Ou são aqueles que esbarram num prato bonito na casa da sogra, e o prato cai e quebra. Tabacudos são os que trocam letras: já ouvi uma tabacuda dizer que caiu dos “negraus” da escada e um outro tabacudo dizer que apanhou de “protósito”. E, tabacudos são, também, os que confundem significados de “palavras difíceis”, montando um palavrório pedante.

Se ser tabacudo não é um conceito com definição exata, pode-se dizer que está pleno de multissignificação. Todos nós somos tabacudos e temos dias tabacudos. Basta estar vivo para vivenciar esse adjetivo. Enfim, ser ou não ser tabacudo não é uma questão pertinente: é uma certeza diária.


*** Esse texto foi escrito em 2003, para uma cadeira de Leitura e Produção Textual. Estou guardando online os textos que me sobraram, pois perdi quase todos os que fiz. Há coisas engraçadinhas e outras muito ruins. Mas era o meu primeiro semestre na UFRGS.

Musiquinhas para embalar o feriadão

1. Smashing Pumpkins – Disarm

The killer in me is the killer in you
Send this smile over to you

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2. Bajofondo – Pa’ Bailar

Bem bonito! Esse grupo tem o Gustavo Santaolalla! 🙂

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3. Gotan Project – Santa Maria del Buen Aire

Esse grupo tem o lunfardo (fala local bonaerense) no próprio nome. Em lunfardo, se trocam as sílabas das palavras. Assim, leche, em lunfardo, se fala chele; maestro se diz troesma; tango se fala gotan. Ora, aí está o Gotan Project. Essa música está em uma trilha de filme hollywoodiano, mas eu não me lembro o nome.

Ah, nesse vídeo tem algo interessante. Ele remete a música eletrônica e seu ritmo tem a ver com isso. E isso é meio óbvio. O que não é óbvio é a relação que eu faço desse clipe com os primeiros filmes de Salvador Dalí e Luis Buñuel, na década de 1920. Os filmes são Um cão andaluz e A idade de ouro. São filmes surrealistas, com pouca história e muitas imagens chocantes, desconexas e oníricas, além da crítica social à burguesia. Enfim, Santa Maria del Buen Aire bebe da influência de filmes da década de 1920, até porque o tango teve seu áureo tempo nessa década. E esse áureo tempo está voltando: com cara de século XXI.

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Espero que te divirtas, também!

😉

O que cada um pensa é o que cada um pensa: e só isso

Hoje passei por uma situação difícil. Uma colega querida, amiga de trabalho, disse que minha atitude em não deletar um comentário que ela fez na minha página do saite de um curso que estamos fazendo foi deselegante. Na verdade, eu deixei a mensagem incompleta, postei, mas depois de um tempo editei e completei. Enfim, esse descuido fez com que ela comentasse antes de eu terminar o post, dizendo que não tinha entendido minha mensagem — a incompleta — e, quando ela viu a mensagem completa, se chateou, porque parecia que ela não tinha me entendido. Confuso, não? Pois é. E eu nem posso deletar a mensagem dela, porque não há essa opção no referido saite.

Daí eu vejo que a confusão é a coisa mais humana que há. Mesmo quando ninguém quer magoar ninguém, alguém acaba se chateando por uma interpretação particular. Estou tentando melhorar meu filme com a colega, muito provavelmente eu consiga, mas vai saber quantas confusões ainda nós duas e nós tantos outros teremos? Nossas atitudes deveriam vir com tecla sap na língua do receptor. Porque se nos entendermos individualmente já é tão difícil, imagine entender outra pessoa!

Por outro lado, há pessoas que nos entendem como ninguém. Essa mesma amiga, do episódio triste da vez, fala coisas que têm muito a ver comigo, em diversas ocasiões. Daí a cumplicidade. Mas há pessoas que parecem que entendem a nossa alma. Às vezes custa perceber que convivemos com alguém tão próximo: próximo de nossa alma. Alguém por quem nossa simpatia é gratuita: sem motivos aparentes para admirar tanto ou sem razões empíricas para se dar tão bem. E essa é outra sorte na vida. Bem, não sei tu, mas eu tenho, SIM, essa sorte.

Tanto a confusão completa, como a cumplicidade perfeita, exigem entrega. Quando nos confundimos e nos expomos, confiamos em quem está nesse processo de descobrimento do que se quer realmente dizer. Quando acontecem os momentos plenos de cumplicidade, confiamos — e isso é óbvio — na pessoa que está junto conosco. E, para mim, essa confiança é vital para que a gente aprenda a caminhar.

Bem, esse post é só para dizer que tenho sorte de conviver com as pessoas em quem confio. Ainda que eventualmente eu as deixe plenamente satisfeitas, absurdamente confusas e todas as variações entre esses dois extremos.

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