O dia seguinte

Bem, o post anterior foi publicado pela Rosane de Oliveira no seu blogue.  Tenho de reconhecer que ela foi extremamente solícita e educada, inclusive confrontando as informações que recebeu. O fato foi que a SEC respondeu a ela. O email dizia que:

Quem é Nina Antonioli? Não tem nenhum professor com esse nome, oras. (Agora, querido leitor, imagine eu explicando que meu nome é Janina, que é polonês, por isso a pronúncia é “ianina”, porque é o nome de minha bisavó… Nina, ok? Mais fácil.)

A SEC prefere professor atendendo aluno do que aluno sem aula. (Nossa, eu também! Mas na falta de professores, esse argumento é corretíssimo! Mesmo que seja de extrema importância ter professores melhor qualificados. Além disso, o vídeo que nos mandaram para o início do ano letivo orientava que os professores dedicassem tempo para se especializarem.)

A SEC garante que não há falta de professores. Tem mais de 17 mil professores a disposição numa lista de contratos temporários. (Tá, se tem tantos profes assim a disposição, por que algum aluno ficaria sem aula em função de eu sair para uma licença?)

A SEC diz que 80% dos professores que pedem licença para estudo não voltam à sala de aula. (Sim, é verdade. Mas nesses casos a licença concedida é a licença interesse, que desobriga a volta pós estudos e não é remunerada. A licença que peço exige que eu volte a trabalhar tempo igual ao da licença, sob pena de ter de pagar o investimento para o Estado. Quer dizer, se a licença de qualificação profissional — LQP — estivesse sendo concedida, não haveria abandono dos professores no fim da licença.)

Recebi essas respostas da SEC, porque a Rosane gentilmente me encaminhou. De toda a sorte, reescrevi para a Rosane e disse que, ao contrário da SEC, eu não tinha estatísticas sobre os fatos citados acima. Mas expus o outro ponto de vista, bastante parecido ao que escrevi entre parênteses acima, mas bem mais polido.

Me alertaram que eu poderia sofrer algum tipo de perseguição ou represália na Secretaria, já que tinha “metido a imprensa” no meu problema. Mas eu tenho menos de trinta anos, então, não achava que tinha muito a perder e estava — literalmente — cagando para tudo isso: minha revolta era tal, que se me chutassem da SEC, como fizeram com o Voltaire Schilling na Secretaria da Cultura, eu não ficaria triste. Todas as vezes anteriores que eu tinha ido à SEC para saber sobre LQP, era desencorajada a fazer o processo. As explicações mais comuns eram ligadas ao fato de não haver professores para sala de aula. Além disso, a possibilidade que os funcionários da SEC me davam era tentar ajeitar um horário alternativo, uma exceção com meu diretor.

Daí fui à SEC na sexta fazer o bendito processo para conseguir LQP. Pela primeira vez não me impediram de fazer o processo, espantoso! Incrível, mesmo, foi ver uma cópia de um decreto proibindo LQP no Governo Yeda na mesa da responsável por processos de LQP (que praticamente não deve trabalhar, já que não tem processos para fazer). A governadora, junto com o Luís Fernando Záchia, sancionou um decreto que proibia a concessão de LQP desde 5 de janeiro de 2007. Quer dizer, ela assumiu o governo e, cinco dias depois, cancelou as LQP’s. Ok, é lei e não posso questionar isso. Mas o grande problema dessa questão é que tive de esperar a movimentação da imprensa para me mostrarem por que eu não posso conseguir a LQP. Tive de ir três vezes e telefonar outras cinco, até que surgisse um papel oficial e me desse um argumento de “e por que não?”. Não posso dizer que estou conformada, mas o mais revoltante nesse engodo é o desrespeito e descaso com o professor. Se não pode LQP e tem lei para isso, queria essa explicação desde o início. Bem, o que me resta nesse momento é torcer para que a governadora não se reeleja e que o próximo secretariado seja formado por pessoas mais informadas e mais dedicadas ao trato com os professores.

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2 comentários (+add yours?)

  1. Paulo Francisco Slomp
    Mar 04, 2010 @ 15:01:39

    Oi Nina!

    “Me alertaram que eu poderia sofrer algum tipo de perseguição ou represália”.

    Nem sempre temos a coragem suficiente para tomar decisões que podem ter desdobramentos sérios. Mas acredito que o teu sentimento de pessoa íntegra e digna contribuiu para fortalecer a tua decisão. E esse sentimento de integridade e dignidade talvez seja uma das coisas mais importantes na vida.

    Parabéns!

    Abraços!

    Responder

  2. Trackback: Pouco alcance « Algum Olhar

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