Mais do mesmo…

Outra área que todo mundo dá pitaco, sempre, é na segurança pública. Acho que não há alguém que tenha uma receita definitiva para o problema, com exceção do Capitão Nascimento, mas também não se tem feito nada que melhore, efetivamente, essa questão.

Ninguém? Como, ninguém? Aqui no meu bairro –Bom Fim –, em Porto Alegre, o jornal da região está fazendo um serviço à segurança pública, mostrando como se deve diminuir a criminalidade; além disso, aponta os positivos números em relação à violência do bairro. Segundo o jornal Fala Bom Fim, nro. 68, de outubro/novembro de 2007, o número de roubo de veículos, roubo de pedestres, apreensão de entorpecentes e furto qualificado diminuíram consideravelmente nos últimos três meses. O que me leva a crer que eu não moro mais no Bom Fim.

Esse número parece mascarado, já que as pessoas não devem mais fazer ocorrências policiais aqui na redondeza. A chamada à patrulha policial mais recente que eu soube que tinha sido atendida, demorou 15 minutos e ocorreu na última quinta-feira (22/11/2007). Os brigadianos chegaram no lugar da ocorrência pedindo ajuda aos transeuntes para empurrar o carro. Quando viram que o carro não conseguiria ser arrumado rapidamente, acionaram o rádio, chamando outra viatura próxima. O rádio não funcionava e pifou, também. Bem, mesmo que esse fosse um caso isolado — e não é! –, é inadmissível que uma viatura policial trafegue nessas condições. Tudo bem… pode rir da situação antes de seguir o texto.

O que não é engraçado é que os brigadianos foram atender uma ocorrência em que dois ladrões estavam apontando armas na cabeça de duas pessoas numa vídeo-locadora. Ou seja, ironicamente são esses profissionais que estão nos atendendo e nos protegendo. Por toda essa negligência governamental em relação à segurança pública, quem quer, mesmo, fazer ocorrência, já que a ocorrência policial serve só para gerar estatística?

No meu prédio, nos últimos dez dias, três vítimas reclamaram de assaltos no entorno. Sem ocorrências policiais, é claro. O porteiro eletrônico do prédio na frente da referida vídeo-locadora, dias antes, foi levado por mais assaltantes. Não se pode descuidar de carro ultimamente e caminhar à noitinha, por aqui, é preocupante. Por isso, gostaria de saber onde está a instituição que garantiria a segurança pública. Se ela existe, manifeste-se, por favor. Erga os braços, mas não diga socorro!

Não sei exatamente quais são as ações do governo para que isso diminua, até chegar ao ponto de que consigamos caminhar na rua com uma certa tranqüilidade. Por outro lado, não acredito que o problema esteja ligado só à questão social, porque na Argentina, por exemplo, mesmo na época da bancarrota, não havia a brutalidade das ações dos assaltantes que se vê por aqui, hoje.

Parece que o governo e a sociedade ficam assistindo aos problemas de segurança como se fossem platéia de uma história triste; afinal, até aqui só narrei uma porção de trivialidades. Parece que impunidade e formação massiva de má índole não têm nada haver com isso, já que disso, mesmo, ninguém fala. Todo mundo fala em matar ladrão, fala em mais dinheiro para a secretaria responsável por esses problemas, fala em sistema prisional — tudo muito importante. Porém, quem é o agente da violência? É um sujeito jovem. Jovem como eu. E é a juventude, de meninos da minha idade, pouco mais novos, pouco mais velhos, que está abraçando a marginalidade. Pois quem é jovem acha mais bacana burlar regras do que cumpri-las. Fazer errado é coisa de esperto e o que qualquer guri quer é ser um bad boy. E não estou falando de um fenômeno da classe mais pobre: isso é formação social, mesmo. O filho do colarinho branco quer ser skinhead, porque acha bonito. O filho do papeleiro quer ser avião, porque, também, acha bonito. E a sociedade aplaude todo mundo que quer tirar vantagem em tudo.

E tudo acaba sendo uma engrenagem: nos roubam o celular e vamos no camelô comprar outro, que também foi roubado, mas que não era o nosso, estimulando que nos roubem mais celulares. Somos contra o tráfico de drogas, mas compramos CD/DVD pirata, fazendo de conta que não sabemos que estamos financiando a criminalidade. Não fazemos nada quando nos apontam uma arma na cabeça, porque o governo, também, não vai fazer nada, mesmo.

Todo mundo tem essa mania estúpida de ser corrupto (e/ou omisso) e achar que nada do que acontece no mundo é consigo próprio.

É aí que a negligência do governo sustenta uma queixa sem solução. Quer dizer que eu não posso comprar um rádio novo para os brigadianos chamarem outra viatura, mas posso tentar passar adiante que a inércia é a mãe de todos os vícios, inclusive da insegurança.

1 Comentário (+add yours?)

  1. Alexandre Martinazzo
    Nov 25, 2007 @ 22:57:37

    Sem ocorrência, não há crime. Uma bela solução para diminuir estatísticas de criminalidade, não?

    Penso logo, existo; não penso, logo… Esse final acabou me fazendo postar também. Obrigado.

    Responder

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